domingo, 23 de junho de 2013

Dead Man Walking

6 meses
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1 coisa que podia ter terminado...

Não é fácil pensar na nossa mortalidade como algo final, palpável, ali ao virar da esquina... Especialmente em tão pouco tempo. E tão real.

Como sempre na vida, tudo é feito de possibilidades, e de coisas que aconteceram ou não aconteceram para poder continuar a escrever isto.

Ainda hoje me disseram, "ah porque tens alguém lá em cima que está mesmo de olho em ti".
Bitch please se tenho alguém lá em cima também tenho lá alguém em baixo que deve estar com umas saudades do caralho para me tentar puxar tanto.

Não é fácil, e danifica, faz pensar em tudo, faz pensar que não devemos estar cá, que estou em tempo emprestado.

E o que é isto de tempo emprestado? Estou a tirá-lo a alguém é isso? Existe algo que devia estar cá, e não está por eu estar?

E se nada disso se aplicar, eu estou cá. Até quando? E porquê? É estranho poder pensar que podia não estar aqui, porque nunca pensamos que existe essa possibilidade. Tomamos a vida como algo garantido até realmente sermos mais velhos.

Somos relembrados esporadicamente quando algo acontece, mas é sempre aquele amigo do amigo do amigo. Nunca nós. "Nós" vamos curtindo a cena, bebemos uns canecos, fazemos umas parvoíces, pelo meio passamos por algumas merdas que até dão umas tatuagens porreiras como se de um rito de passagem se tratasse, mas, e se não tivéssemos oportunidades de nada disso? Se não puderes chegar a velho? Vais viver como se tudo fosse efémero? Ou vais tentar fazer o melhor para a long run, quando nem sabes quanto é que vais correr?

And this things makes us unplugged, unconnected, "unliving".

O que nos desliga torna-nos mais frios. Menos humanos. Cada vez me sinto a deslizar mais pelo caminho que já percorri. A máscara que tanto chama. A máscara que tanto acompanha, a máscara que pede para voltarmos a ser só um.


Dead Man Walking.

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