segunda-feira, 14 de abril de 2014

O Prazer de não trabalhar

A verdade é que não fazer nada tem muito que se lhe diga. E digo eu que de fácil não tem nada, especialmente no inicio. Para tristeza minha, vejo-me numa situação de desemprego um bocado prolongado. E verdade seja dita, muita gente já teria a bater com a cabeça nas paredes (não que eu não o faça de tempo a tempo).

O que falta a muito boa gente é saber apreciar o facto de não ter nada para fazer. A falta de estrutura que um emprego traz não é fácil de gerir, e não é facil de gerir porquê perguntam voces? 

Porque muita gente não se conhece a si própria, não sabe o que gosta, não sabe o que sentir quando não tem ninguém a validar as suas acções.

Eu muita vez mostro o que faço a amigos para saber se estou no caminho certo, mas sorry guys mesmo que me digam que é uma merda eu vou gostar do que fiz, pois foi o meu objectivo de fazer aquilo. E concretizá-lo já é melhor que não o ter começado at all. Seja por medo ou por falta de capacidade de me fazer mover a mim próprio.

Não sabe o que fazer para se sentir realizada, estruturada, sem que alguém lhe diga "É isto que tens que ser". É o que me parece ser O problema de muitas das pessoas que conheço.


Toda a gente se riu quando me viu a ler um livro que se chamava "O Prazer de não trabalhar", 

"ahah é mesmo á Frutas"; "só tu"; "esse livro é mesmo a tua cara"; etc.

O que falta compreender a essas pessoas é que não é por estar desempregado, ou empregado que eu vou ser mais ou menos feliz. Se eu tivesse a trabalhar ver-me-ião feliz da mesma forma, ou se calhar até menos porque estaria num "crapy job" e estaria a ser condicionado por uma sociedade que me obriga a fazer algo, a ser alguém que não nasci para ser.

It sucks não ter dinheiro para fazer tudo o que quero é verdade. Mas tenho 26 anos, daqui até aos 90's tenho tempo de sobra para fazer as coisas que quero. 

É uma questão de querer, porque é que se quer um carro topo de gama quando um Fiat500 faz o mesmo por exemplo? Se calhar, se se comprar o Fiat500 tem-se dinheiro para aquela viagem, ou para aquelas férias. É necessário saber querer. 

Querer não é só querer. É saber ver a vida e o que realmente precisamos para ser felizes. Ok, um BMW ou um Audi todo xpto são muito bonitos, e eu sou o primeiro a virar o pescoço quando passa um grande carrão. 

Mas isso fazer-me ia realmente feliz? Ter esse carro? Ou pegar num Fiat500 e pegar em quem mais amo e fazer alta roadtrip? Se calhar isso fazer-me-ia muito mais feliz, a mim e a eles, para além dessa felicidade estaria também a criar memórias. Algo que quando estiver quase a morrer não direi "Gostava de ter feito...", mas sim sorrir porque fiz, porque vivi.

Este livro, para além de ser muito na base do senso comum, ensina que a forma de vermos a vida, e o que realmente precisamos para ela é o que determinará a nossa felicidade e não sair do secundário, ir para a faculdade, sair da faculdade tirar um mestrado e depois ir trabalhar a vida toda para depois metermos os filhos no mesmo ciclo vicioso. 

Porque é que só podemos aproveitar a vida quando, 
1º são os nossos pais a pagar para nós fazermos o que bem queremos.
2º quando supostamente já estamos na reforma?

Porque é que não aproveitamos quando queremos? Em vez de se procurar um emprego que nos consuma a vida porque não procurar uma vida que nos consuma e só depois arranjar um emprego que nos sustente?

Sei que é tarde, e que este é um texto um bocado non-sense para quem o leia "out of the blue". Mas a verdade é que canso-me que acham que não faço nada, quando estou a viver mais feliz que muitos que se acham superiores por terem dinheiro ou terem uma base mais estável.

A felicidade parte de sabermos quem somos e do que gostamos, não do que podemos comprar.

É tudo.

#DevaneiosDumaFruta

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